Bem vindo ao fim do mundo.
Ceticismos à parte, com a falta de empenho de nossas lideranças políticas em aumentar as chances de sucesso de políticas ecológicas sustentáveis, capazes de manter a raça humana na Terra, fica impossível apostar em nossa sobrevivência por mais de quatro gerações. Ou seja, os netos dos seus netos viverão o último ato da destruição do planeta.
Hoje já vivemos no caos. Chegamos ao ponto de desperdiçar um valor equivalente ao PIB mundial com a má utilização dos recursos naturais. Somos capazes de destruir trilhões de dólares em dias. Fortuna da qual uma pequena parte seria suficiente para alimentar os miseráveis-famintos do continente africano, sentenciado à morte pelo mundo, ou por seus viróticos lideres, sempre à procura de riquezas, custe o que custar.
Já que falamos de liderança, falemos dos EUA: enquanto nações descapitalizadas, impossibilitadas de alimentar e educar suas populações - por ter que reverter a renda necessária para tanto ao pagamento de juros exorbitantes de empréstimos mais do que necessários - investem na redução das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera, a maior potência do planeta não é capaz de dar nem se quer um exemplo positivo, caindo, cada vez mais, no desgosto geral, se tornando o alvo mais apetitoso aos ataques dos "Mr.Bins" - versão melhorada dos "Bush".
Se alguém tiver interesse, tenho comigo alguns ingressos de primeira fila para o maior evento da história humana: a derrocada do padrão vigente de vida consumista, regrada por normas antiéticas e pelo lucro interminável. Tenho divulgado a possibilidade de atingirmos um nível de receita mundial capaz de destruir o que temos de mais valioso, o tempo. Ou seja, chegaremos, em breve, a um estágio de destruição dos recursos naturais tal, que não teremos mais a necessidade de controlá-los, os dias e noites serão igualmente cinzas e precisaríamos invadir o espaço de seres que nem conhecemos, para continuarmos nossa saga de destruição e consumo, sem vislumbrar o menor traço de sustentabilidade – mas de que a sustentabilidade nos serviria!?
E o Brasil? Somos o celeiro do mundo e, mesmo assim, com toda essa água potável e potencial de plantio, nos colocamos em posição de inferioridade perante os “donos” do mundo - de hoje, de curto prazo. No longo prazo, se ele existir (!), nossas nascentes valerão o que valem as minas de diamante da África ou os poços de petrólio do Oriente Médio. Infelizmente, não há formas de anteciparmos esses recebíveis a taxas razoáveis...
Não dou conselho, dou sugestão. Por isso, seja forte e perspicaz. Esteja preparado para viver a derrocada e pense bem na procriação. Seus descendentes podem ser os primeiros a dizer: “meu pai, ou meu avô, viveu na superfície, respirou oxigênio e comeu carne de boi, seja lá o que for isso...”.
Como disse, ingressos para o fim de nossa existência já estão à venda. Eu mesmo já tenho alguns (inclusive o meu) comprados e estou me especializando em especulação de terrenos no Paraíso, para garantir minha capacidade de destruir para consumir por toda a eternidade. Afinal de contas, modéstia a parte, sempre fui visionário.
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