Por aqui a coisa andará sempre em ritmo diferenciado: as novas inclusões serão sempre feitas sem regra e sem regularidade. A pretensão é escrever sobre absurdos... Sem interesse específico, sem definição, sem norte e sem noção.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Seu número

Em algum momento, teremos (será!? Quem?!) um “estalo”: Será que, algum dia, terei a possibilidade de optar por algo que não tenha sido pré-escolhido para mim, algo que não tenha sido criado para pessoas com o meu perfil?! Algo que não tenha sido feito de forma ultra-massificada e que, mesmo assim, eu - com meu salário medíocre - consiga "comprar"?!

Eu diria que sim. Mas isso acontecerá no momento que paramos para pensar na inconsistência existente na elaboração desses perfis. Ninguém é, na essência, igual a outro.

O que temos vivenciado atualmente é a - imposta - necessidade de estarmos adequados a clusters sociais, de nos enquadrarmos nos padrões vigentes de sucesso, de sermos consumistas e de pensar pouco na sustentabilidade das relações humanas, no todo e no comum. A impressão é que o público é de ninguém. "De todos" nada é.

Muito disso chega até nós pela falta de percepção das sociedades sobre a dependência do sistema econômico para com os econssistemas naturais. Essa é tão completa, que a economia humana pode ser vista como nada mais do que um subsistema do ecossistema total da terra. Ou seja, temos uma necessidade muito maior de pensar no que seria nossa riqueza no futuro, do que na necessidade de ganhos e consumo hoje.

Mesmo assim, seguimos, como se fossemos máquinas (descrição que não é tão absurda assim), caminhos considerados melhores, padrões de sobrevivência que podam a liberdade em prol do desenvolvimento da capacidade e segurança de consumo futuro, seguimos o STATUS QUO (nada mais chato e sem perspectivas do que isso!).

Tendemos a pensar que ter uma carreira sólida, conquistar segurança financeira e abrir mão de nosso tempo de lazer é algo plausível, capaz de nos realizar como pessoas e de nos reservar um espaço de respeito dentro da cabeça de nossos semelhantes, o que é uma das maiores satisfações do ser humano: ser reconhecido pelos mais próximos.

De que nos adianta ter, se não conseguimos usufruir do que temos? É muito bom ter posses, mas não seria mais interessante ter tempo disponível para se aproveitar TUDO, mesmo que o volume de bens materiais fosse menor?

A idéia de felicidade econômica que preza a capacidade de consumo é primordial para o agente ser feliz, mas é algo que vai de encontro à idéia de ter tempo para curtir o que foi consumido. Afinal de contas, se você tem tudo o que quer mas não tem tempo para se divertir; por quê consumir tanto, então? Para se manter dentro dos esdrúxulos padrões de aceitação social? Para estar “na moda”? Tomara que estas não sejam suas motivações de vida...Como você se sente sendo um número? Para você, é confortável viver sob vigilância contínua de padrões rígidos de sucesso e ascensão social? Seu planejamento de vida inclui ganhar dinheiro e ter segurança durante toda a sua vida, de forma a garantir a educação dos seus filhos e dar a eles todo o conforto que você nunca teve, mesmo que isso não te satisfaça totalmente como pessoa? Bom saber...

4 Comments:

Blogger Dupark ® said...

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7:53 PM

 
Blogger Dupark ® said...

Porra, muito bom...temos que começar a escrever juntos...gostei muito da idéia, penso nisso bastante...uma boa idéia para ser destrinchada é a de que já nascemos dentro de um contrato que nunca pedimos para participar...Vamos fazer Locke, Hobbes e cia, se revirar nos túmulos...Abração!!

7:55 PM

 
Anonymous Anônimo said...

E ae? Alguma solução?

Ócio criativo!

"o tempo que vc gosta de perder não é necessariamente perda de tempo".

Enfim, o consumo, de fato, consome. A sociedade moderna vendeu todos seus valores morais e éticos pra comprar um óculos da Prada!

6:44 PM

 
Blogger Carolina Steagall De Tommaso Harley said...

Nao me levem a mal, mas EU GOSTO DE CONSUMIR!!!! E TRABALHO COM MODA!!!!!!!!

Gostem ou nao o ato de comprar e o contato com algumas marcas é uma das poucas coisas que propicia uma
sensaçao de saciedade parecida com a que temos ao fazer sexo.

5:09 PM

 

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