Em algum momento, teremos (será!? Quem?!) um “estalo”: Será que, algum dia, terei a possibilidade de optar por algo que não tenha sido pré-escolhido para mim, algo que não tenha sido criado para pessoas com o meu perfil?! Algo que não tenha sido feito de forma ultra-massificada e mesmo assim eu, com meu salário medíocre, consiga comprar?!
Eu diria que sim. Mas isso acontecerá no momento que paramos para pensar na inconsistência existente na elaboração desses perfis. Ninguém é, na essência, igual a outro.
O que temos vivenciado atualmente é a - imposta - necessidade de estarmos adequados a clusters sociais, de nos enquadrarmos nos padrões vigentes de sucesso, de sermos consumistas e de pensar pouco na sustentabilidade das relações humanas, no todo e no comum. A impressão é que o público é de ninguém. "De todos" nada é.
Muito disso chega até nós pela falta de percepção das sociedades sobre a dependência do sistema econômico para com os econssistemas naturais. Essa é tão completa, que a economia humana pode ser vista como nada mais do que um subsistema do ecossistema total da terra. Ou seja, temos uma necessidade muito maior de pensar no que seria nossa riqueza no futuro, do que na necessidade de ganhos e consumo hoje.
Mesmo assim, seguimos, como se fossemos máquinas (descrição que não é tão absurda assim), caminhos considerados melhores, padrões de sobrevivência que podam a liberdade em prol do desenvolvimento da capacidade e segurança de consumo futuro, seguimos o STATUS QUO (nada mais chato e sem perspectivas do que isso!).
Tendemos a pensar que ter uma carreira sólida, conquistar segurança financeira e abrir mão de nosso tempo de lazer é algo plausível, capaz de nos realizar como pessoas e de nos reservar um espaço de respeito dentro da cabeça de nossos semelhantes, o que é uma das maiores satisfações do ser humano: ser reconhecido pelos mais próximos.
De que nos adianta ter, se não conseguimos usufruir do que temos? É muito bom ter posses, mas não seria mais interessante ter tempo disponível para se aproveitar TUDO, mesmo que o volume de bens materiais fosse menor?
A idéia de felicidade econômica que preza a capacidade de consumo é primordial para o agente ser feliz, mas é algo que vai de encontro à idéia de ter tempo para curtir o que foi consumido. Afinal de contas, se você tem tudo o que quer mas não tem tempo para se divertir; por quê consumir tanto, então? Para se manter dentro dos esdrúxulos padrões de aceitação social? Para estar “na moda”? Tomara que estas não sejam suas motivações de vida...Como você se sente sendo um número? Para você, é confortável viver sob vigilância contínua de padrões rígidos de sucesso e ascensão social? Seu planejamento de vida inclui ganhar dinheiro e ter segurança durante toda a sua vida, de forma a garantir a educação dos seus filhos e dar a eles todo o conforto que você nunca teve, mesmo que isso não te satisfaça totalmente como pessoa? Bom saber...


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