Por aqui a coisa andará sempre em ritmo diferenciado: as novas inclusões serão sempre feitas sem regra e sem regularidade. A pretensão é escrever sobre absurdos... Sem interesse específico, sem definição, sem norte e sem noção.

Segunda-feira, Outubro 06, 2008



Sábado, Fevereiro 09, 2008

Car - a -dise


A Africa do Sul tem nuances interessantes. Uma delas e' o apego com que a populacao das fatias mais abastadas da sociedade trata os automoveis - e o tipo de carro que interessa ao pessoal por aqui.

Primeiro de tudo, nunca tinha visto tantos carros esportivos andando na rua, livremente, na minha vida - tipo: bmw's M5, Porshes Carrera, Lamborguinis... Em Johanesburgo ha avenidas onde se pode encontrar mais de uma revendedora da Porshe. Todos dao o maior valor do mundo pro carro e provavelmente invistam suas economias nos mais novos modelos todos os anos. A febre por aqui e um tipo de leasing automotivo, onde se estabelece um preco quase de "aluguel" pro carro, ja que a quantidade de parcelas e' enorme. Com isso, se a pessoa quer trocar o modelo, simplesmente vai ate' a revendedora, deixa o antigo e sai dirigindo um novinho - claro, com um reajuste consideravel nos pagamentos mensais.

Para carros tao velozes, existem rodovias de primeiro mundo. As ruas, etradas e avenidas sao "tapetes" de asfato e, se nao fosse pelo limite de velocidade, poderia-se sentir em uma das Autobans da Alemanha.

Do outro lado da moeda, e ai' comeca a aparecer o lado canastrao da historia, em Johanesburgo o transito e' insuport'avel. Todos os dias, das 6 as 9 da manha e das 5 as 7 da tarde/noite, nao se anda a mais do que 20 km/h. Como e' f'acil comprar um carro, todos tem um, mas o seu carro proprio vem com o "congestionamento de todo dia" de brinde. Pelo que soube, o transito vem piorando tanto, que nos ultimos 2 anos, o tempo para se atravessar a cidade em um horario de pico dobrou - e isso usando-se auto-estradas de 6 pistas e 120km/h de limite de velocidade...

Assim, eu, no meu VW Citi - algo como o Gol daqui, o carro mais tosco da regiao (sim, e' de graca - nao posso reclamar) vejo aqueles carros extraordinarios gastando uma quantidade absurda de gasolina pra passar da primeira para a segunda marcha, voltar pra primeira, parar, andar mais um pouco e parar de novo. De tao triste que e' a cena, estou trabalhando ate mais tarde e evitando correr o risco de presencia-la. No comeco era pra nao pegar muito transito, mas percebi que isso me faz muito mais mal.

Pra nao deixar de comentar o assunto: dirigir do lado direito do carro nao e' problematico ate que se precise tomar uma medida de urgencia. Nesses momentos, a mao direita vao ao encontro direto da manivela de abrir a janela (nao, nao tenho vidro eletrico), nao tem jeito. Nos outros momentos, a unica constacao a ser feita e' o quao necessario e' acertar a primeira curva, depois dela, dirigir do lado direito ate' parece certo.

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

Africa Revisited - O racionamento agora e' de energia!

Imagino que muita gente conhe'ca a expressao "T.I.A.", mas mesmo assim vou come'car por ela:

T.I.A = "this is Africa"

Nunca imaginei que sentiria na pele, logo no primeiro dia po's-muda'ca, o que a Africa e' capaz de proporcionar a alguem. Depois de um voo conturbado, cheio de turbulencias e uma centena de crianc'as - uma das quais passou o tempo todo que o pai dormia chutando minha cadeira - cheguei em Jo'burg pra come'car a trabalhar, depois de incriveis 5 meses saba'ticos no Brasil.

Com o primeiro dia terminado, posso dizer que tudo que consegui fazer foi almo'car com o pessoal do escrit'orio. So' agora, 00h40, que consegui acessar a internet para responder alguns e-mails.

O porque disso? O pa'is - sim, o PA'IS - esta' sem energia eletrica! O famoso - e famigerado - APAGAO finalmente chegou por aqui. Hoje, a maior cidade do continente Africano parou.

Por volta das 4 da tarde, com um congestionamento recorde, antes visto somente em Sao Paulo, durante os ataques do PCC, Johanesburgo ficou caotica. Ningue'm conseguia se locomover, todas as vias abarrotadas de carros - por aqui nao ha transporte publico (T.I.A.), todos andam de carro (!). Pessoas tentavam fugir do caos pelas calcadas e colcavam seus automovoeis em cima de canteiros e pequenas pracas.

E o colapso nao ficou a cargo apenas da capital financeira do continente, outras cidades como Cape town e Durban tamb'em sofreram muito. Paises vizinhos, que contam com a energia eletrica da Africa do Sul, estao as escuras, e sem perspectivas.

Falando delas, o plano de contingencia do Governo Sul-africano parece nao condizer com a emergencia da situacao. Muita gente gabaritada fala em 5 anos para que a situacao volte ao normal... a Copa de 2010 tera' est'adios movidos (ou iluminados) a diesel e geradores.

Nesse contexto, chego, eu, para tentar reestruturar uma organizacao sem fins lucrativos que apoia empreendedores de pequeno e medio porte. Sera' que sem energia eletrica algo pode ser feito?!



Terça-feira, Maio 22, 2007

Teatro da vida alheia

Ultimamente tenho investido algum tempo em viagens de avião. Parece brincadeira, mas se considerarmos toda a eternidade que passo preso em aeroportos ultimamente como sendo horas de consultoria, ou seja, se alguém estivesse me pagando (e eu trabalhando, lógico!) eu já conseguiria ter investido bons reais em um desses fundos de ações que não param de subir ou em outros, de dólares, que não param de cair – quem continua investindo nisso?!

Mas voltemos ao assunto aeroporto. Fico impressionado com a quantidade de "madames" que se produzem todas pra viajar de avião e acabam por perder as estribeiras na sala de embarque - os executivos de meia-tigela também! Isso acontece muito quando o vôo é atrasado pela 2ª ou 3ª vez, ou quando resolvem cancelar. Chega-se ao cúmulo de ouvir palavrões sendo disparados de bocas que antes eram julgadas como sendo de extrema pompa e bom gosto, apesar de muita gente que roda nos aeroportos comer ovo e arrotar caviar.

Nesse momento, você, caro leitor, deve estar pensando em quantas vezes já não viu isso acontecer. Eu diria que, pelo menos, uma meia-dúzia. Agora, pense em quantas aconteceram nos últimos 7 meses... todas?!

Comigo a coisa parece andar nesse ritmo. Todo mês vejo uns 3 ou 4 surtos psicóticos incontroláveis nos aeroportos do Rio e de São Paulo, lugares por onde costumo passar com mais freqüência. Um mais estranho que o outro. Parece que gente resolve extravasar toda a angústia de uma vida na coitada da atendente da companhia aérea que não fez nada de errado, além de ter escolhido um emprego que a colocasse parada alí, a única a quem você poderia recorrer em caso de qualquer coisa, como a vontade incontrolável de esganar alguém e, assim, conseguir se teletransportar para o conforto do seu lar.

Uma delas me confessou ter ficado diabética de tanta pressão que sofreu. Segundo reza a lenda (uma das que escutei), a senhorita, de vinte e poucos anos, loira, estatura média, magra – em torno dos 55, 60 quilos, bonita e vestida com aquelas roupas bem características, passou meia-hora tentando acalmar uma manada de homens descontrolados, que tentavam invadir a área de embarque e sair correndo pra um avião que nem estacionado estava. Eu, no lugar dela, teria salvaguardado minha saúde e deixado os passageiros se divertirem pelos túneis, corredores e salas, até serem devidamente presos e não viajarem a hora nenhuma, cenário muito pior do que o que estavam antes de tentarem a revolução.

Pra todos aqueles que se sentem de alguma forma descritos acima, eu diria que falta a vocês muita coisa, só não esperem que eu fique aqui escrevendo a esse respeito. Já investi meu tempo muito mal pra ficar aqui fazendo juízo de valor pejorativo dos outros. O que tenho a dizer é que esse perfil de pessoa já passou a ter uma função social.

Como sempre existiu na história da raça humana, a política do pão e circo continua ativa sempre que balbúrdias começam a incomodar. Nos aeroportos não é diferente: temos os leões, vulgo passageiros e passageiras descontrolados e inconsequentes, tentando arrasar com a saúde, embarcar integridade - pessoal, familiar e física - e com a paciência das indefesas pessoas que ficam alí, recebendo um infinito menos do que mereceriam por todo aquele esforço e incontáveis tentativas de ajudar, esperando a hora de entregar os pontos, ou deixá-los. É um teatro: são os "artistas da vida" assumindo papéis irretocáveis e atuando de forma primorosa!

Depois de chegar a essa brilhante conclusão, resolvi não mais ligar o computador no aeroporto e parar de ter esses lapsos de extrema preocupação com a vida alheia, que façam o que quiserem e boa viagem!

Quinta-feira, Março 01, 2007

Mais um carnaval carioca


São 100 anos de vida. Muita responsabilidade, conteúdo e experiência são marcas registradas, qualidades que andam diretamente ligadas com um passado de memórias bastante díspares, recheadas de putarias, malandragem, festas e realizações. Mesmo com uma kilometragem já avançada, a energia de ser a madrinha de um bloco de rua carioca, que sai às tardes do primeiro domingo pós-carnaval – ressaca pouca é bobagem, de subir em um caminhão de som e ficar embaixo de um sol de 35 graus por longas horas faz de Cleuza Cretina um ícone!

Sim!

Cretina é a única bisavó viva de uma família de 147: 13 filhos, 44 netos – todos magros de ruim, chatos para comer mingau e hortelã e cheios de “disse-me-disses” - e 90 bisnetos, todos aproveitadores juvenis, que só gostam mesmo de encontrar a “bisa” na época do carnaval pra encher a cara de graça do bloco que a velhinha é madrinha. Ela é, além de celebridade, uma síntese de sofrimento longo e continuado, misturado com toda uma brasilidade ultrapassada, da qual ainda resta um traço marcante de megalomania.

Quanto mais debilitada e perto de morrer com tanto sol, suor e cerveja, melhor! Afinal, ser “o maior bloco do mundo onde a madrinha foi a mais idosa a morrer durante o desfile depois de se entupir de cerveja e torresmo” já seria um enorme prêmio, cheio de reconhecimento, para uma sociedade pautada pelo estigma do “maior e melhor”, mesmo que em nenhum quesito - que não as bundas do carnaval - haja um exemplo ou legado carioca para o mundo.

Voltando à nossa estimada CC: neste ano, cheia de energia, netos e bisnetos, resolveu inovar e desfilar de biquíni. Todos os organizadores do bloco ficaram um tanto quanto constrangidos, já que a silhueta da ex-moça já não é lá tão enxuta (nada, na verdade!) e aquela atitude poderia transformar a tradicional presença da vovó numa enorme chacota.

Mesmo assim a sugestão foi aceita e (pasmem!) o dia terminou com duzentos anos de peitos voando como se fossem parte de um topless de princesa da beleza. De tanta manguaça, gordura e calor, as estribeiras foram perdidas e Cleuza, de cima do trio, sentia o calor do asfalto e derrubava foliões alcoolicamente alterados lá em baixo.

“Cretina, Cretina, Cretina”!

Ensandecidos, muitos dos bebaços - os que agüentaram alí até aquela altura - urravam ao ter o desprazer de acompanhar o strip-tease completo e ver a velha cretina (Cretina) peladinha. Foi o ápice da tarde de despedida do Carnaval (agora de uma vez por todas) e suficiente pra transformar os próximos 365 dias em um período de espera. Tomara que Cretina ainda esteja por aí pra mais uma dessas, a de 101!

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

Bem vindo ao fim do mundo.

Ceticismos à parte, com a falta de empenho de nossas lideranças políticas em aumentar as chances de sucesso de políticas ecológicas sustentáveis, capazes de manter a raça humana na Terra, fica impossível apostar em nossa sobrevivência por mais de quatro gerações. Ou seja, os netos dos seus netos viverão o último ato da destruição do planeta.

Hoje já vivemos no caos. Chegamos ao ponto de desperdiçar um valor equivalente ao PIB mundial com a má utilização dos recursos naturais. Somos capazes de destruir trilhões de dólares em dias. Fortuna da qual uma pequena parte seria suficiente para alimentar os miseráveis-famintos do continente africano, sentenciado à morte pelo mundo, ou por seus viróticos lideres, sempre à procura de riquezas, custe o que custar.

Já que falamos de liderança, falemos dos EUA: enquanto nações descapitalizadas, impossibilitadas de alimentar e educar suas populações - por ter que reverter a renda necessária para tanto ao pagamento de juros exorbitantes de empréstimos mais do que necessários - investem na redução das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera, a maior potência do planeta não é capaz de dar nem se quer um exemplo positivo, caindo, cada vez mais, no desgosto geral, se tornando o alvo mais apetitoso aos ataques dos "Mr.Bins" - versão melhorada dos "Bush".

Se alguém tiver interesse, tenho comigo alguns ingressos de primeira fila para o maior evento da história humana: a derrocada do padrão vigente de vida consumista, regrada por normas antiéticas e pelo lucro interminável. Tenho divulgado a possibilidade de atingirmos um nível de receita mundial capaz de destruir o que temos de mais valioso, o tempo. Ou seja, chegaremos, em breve, a um estágio de destruição dos recursos naturais tal, que não teremos mais a necessidade de controlá-los, os dias e noites serão igualmente cinzas e precisaríamos invadir o espaço de seres que nem conhecemos, para continuarmos nossa saga de destruição e consumo, sem vislumbrar o menor traço de sustentabilidade – mas de que a sustentabilidade nos serviria!?

E o Brasil? Somos o celeiro do mundo e, mesmo assim, com toda essa água potável e potencial de plantio, nos colocamos em posição de inferioridade perante os “donos” do mundo - de hoje, de curto prazo. No longo prazo, se ele existir (!), nossas nascentes valerão o que valem as minas de diamante da África ou os poços de petrólio do Oriente Médio. Infelizmente, não há formas de anteciparmos esses recebíveis a taxas razoáveis...

Não dou conselho, dou sugestão. Por isso, seja forte e perspicaz. Esteja preparado para viver a derrocada e pense bem na procriação. Seus descendentes podem ser os primeiros a dizer: “meu pai, ou meu avô, viveu na superfície, respirou oxigênio e comeu carne de boi, seja lá o que for isso...”.

Como disse, ingressos para o fim de nossa existência já estão à venda. Eu mesmo já tenho alguns (inclusive o meu) comprados e estou me especializando em especulação de terrenos no Paraíso, para garantir minha capacidade de destruir para consumir por toda a eternidade. Afinal de contas, modéstia a parte, sempre fui visionário.

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Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

Seu número

Em algum momento, teremos (será!? Quem?!) um “estalo”: Será que, algum dia, terei a possibilidade de optar por algo que não tenha sido pré-escolhido para mim, algo que não tenha sido criado para pessoas com o meu perfil?! Algo que não tenha sido feito de forma ultra-massificada e que, mesmo assim, eu - com meu salário medíocre - consiga "comprar"?!

Eu diria que sim. Mas isso acontecerá no momento que paramos para pensar na inconsistência existente na elaboração desses perfis. Ninguém é, na essência, igual a outro.

O que temos vivenciado atualmente é a - imposta - necessidade de estarmos adequados a clusters sociais, de nos enquadrarmos nos padrões vigentes de sucesso, de sermos consumistas e de pensar pouco na sustentabilidade das relações humanas, no todo e no comum. A impressão é que o público é de ninguém. "De todos" nada é.

Muito disso chega até nós pela falta de percepção das sociedades sobre a dependência do sistema econômico para com os econssistemas naturais. Essa é tão completa, que a economia humana pode ser vista como nada mais do que um subsistema do ecossistema total da terra. Ou seja, temos uma necessidade muito maior de pensar no que seria nossa riqueza no futuro, do que na necessidade de ganhos e consumo hoje.

Mesmo assim, seguimos, como se fossemos máquinas (descrição que não é tão absurda assim), caminhos considerados melhores, padrões de sobrevivência que podam a liberdade em prol do desenvolvimento da capacidade e segurança de consumo futuro, seguimos o STATUS QUO (nada mais chato e sem perspectivas do que isso!).

Tendemos a pensar que ter uma carreira sólida, conquistar segurança financeira e abrir mão de nosso tempo de lazer é algo plausível, capaz de nos realizar como pessoas e de nos reservar um espaço de respeito dentro da cabeça de nossos semelhantes, o que é uma das maiores satisfações do ser humano: ser reconhecido pelos mais próximos.

De que nos adianta ter, se não conseguimos usufruir do que temos? É muito bom ter posses, mas não seria mais interessante ter tempo disponível para se aproveitar TUDO, mesmo que o volume de bens materiais fosse menor?

A idéia de felicidade econômica que preza a capacidade de consumo é primordial para o agente ser feliz, mas é algo que vai de encontro à idéia de ter tempo para curtir o que foi consumido. Afinal de contas, se você tem tudo o que quer mas não tem tempo para se divertir; por quê consumir tanto, então? Para se manter dentro dos esdrúxulos padrões de aceitação social? Para estar “na moda”? Tomara que estas não sejam suas motivações de vida...Como você se sente sendo um número? Para você, é confortável viver sob vigilância contínua de padrões rígidos de sucesso e ascensão social? Seu planejamento de vida inclui ganhar dinheiro e ter segurança durante toda a sua vida, de forma a garantir a educação dos seus filhos e dar a eles todo o conforto que você nunca teve, mesmo que isso não te satisfaça totalmente como pessoa? Bom saber...